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Finalmente tirei uns dias de férias, consegui 12 dias em janeiro, fui parar a 2.842 Km de casa, em Belém do Pará. Fui com a missão de visitar a família de minha namorada, descansar e fazer turismo. A família dela é sensacional, gente educada, muito atenciosa e de um senso de humor afiadíssimo. Também consegui descansar, desencanar. Dormi e comi muito, parecia o Garfield! No entanto o que eu, sem sombras de dúvida, mais fiz, foi conhecer coisas e lugares numa programação intensa. A popular feira do ver-o-peso, o suntuoso Teatro da Paz, a moderna Estação das Docas à beira da baía do Guajará, o Forte do castelo, a exótica ilha do Marajó, a deliciosa ilha de Mosqueiro, onde conheci o cão Blanch (quase um Akita) além de muitas outras coisas. Só faltou mesmo conhecer o estádio do Mangueirão, essa o seu Noélio (pai da Rê, diretor do Payssandu e meu pretenso guia), em virtude de uma virose que o tirou de circulação, ficou me devendo. Mais um bom motivo pra eu voltar.

No dia-a-dia muitas coisas em nossa cidade passam desapercebidas, talvez por estarmos acostumados, por fazerem “parte da paisagem”, mas quando a gente sai de casa, a gente observa tudo, presta atenção, quer conhecer. Eu, que sou um cara contemplativo, me peguei à refletir e ponderar a cada coisa nova que conhecia, me encantei com aspectos culturais, me questionei a respeito do colapso que o mundo está prestes a enfrentar com a falta de água doce ao olhar para aqueles rios que mais pareciam mar. Porém, meu momento de reflexão mais profunda e engajada se deu quando visitei a igreja de Santo Alexandre, atual Museu de Arte Sacra.

Tudo bem, vou confessar, não sou chegado a essas coisas de barroco, rococó e bla bla blá, sou muito mais adepto das janelas de vidro espelhado, estruturas em fibra de carbono, paredes texturizadas e fachadas de alumínio, mas ao ver aquele aglomerado de obras de arte, pinturas sacras, esculturas, vitrais e entender que os jesuítas usavam da arte como forma de catequizar os índios, fiquei pensando na história da nossa Igreja e de como ela é estritamente e estreitamente ligada à arte, seja ela na música, na pintura, na arquitetura, etc. Nossa arte impressiona, encanta, emociona, conta nossa história e é ferramenta básica no nosso jeito de evangelizar. Nosso patrimônio artístico, histórico é o mais valioso do planeta e por um longo período, a arte feita pelos católicos ou para os católicos foi de longe o que havia de melhor no mundo, nossas músicas, nossas pinturas, nossas imagens eram a fonte onde os artistas pagãos buscavam sua referência, nós ditávamos as regras culturais, sociais e comportamentais.

Voltando à Igreja de Santo Alexandre em Belém, a guia que nos conduzia e explicava sobre o museu, contou-nos que por um longo período, antes da restauração que deixou a igreja como hoje está, o local ficou abandonado, cupins comiam suas imagens em madeira nobre, traças devoravam as telas e a ferrugem corroia hostensórios e objetos litúrgicos. Minha pergunta: Porque? Porque desse abandono com a Igreja de Santo Alexandre? E para minha tristeza, fui obrigado a admitir que esse abandono não se restringiu a essa igreja e o tesouro que ela guarda, mas nossa igreja no último século virou as costas para a arte, experimentou um declínio produtivo inimaginável. Talvez nossos padres ousaram imaginar que música seja futilidade dispensável, trocaram a beleza celestial expressa na terra por homens que amam a Deus por palanques e ideologias sociais e políticas que provaram sua ineficiência e no seu ocaso quase nos arrastaram, nos deixando sem posicionamento. Nos metemos, por exemplo, em amargos conflitos de terra em detrimento do belo (me refiro a formas harmoniosas e agradáveis e não ao pagodeiro pilantra), do imponderável dom divino permitido ao homem: criar!

Mas o Espírito Santo sopra onde quer e como quer, Ele tem trazido, nos últimos 30 anos, novos ventos, arejando nossa igreja. Vivemos tempos de retomada do que sempre foi nosso, da melhor arte que possa ser feita. Nós, que éramos referência, permitimos ao mundo tomar nosso lugar e hoje buscamos neles a referência para nossas coisas, eles se tornaram os melhores em gravar, tocar, divulgar, etc.. Mas vejo uma virada de mesa se aproximando, em pouco tempo eles voltarão a nos procurar para saber como se faz bem feito.

Quantas cantoras você conhece que cantam melhor que a Adriana? Quantas têm mais domínio de um palco que a Ziza Fernandes? Quantas bandas fazem CDs mais agradáveis que os do Anjos de Resgate? Quantas Boys Bands tem caras mais bonitos que nós, do Rosa? Tudo bem, pula essa parte, realmente tem alguns aspectos que a Igreja está deficitária...

O que importa é que chegou nossa hora e nossa vez, temos talento de sobra e muito mais que isso, temos a inspiração que é fruto de nossa história e intimidade com Deus. Convoco você que toca, que escreve, que canta, que dança, representa, desenha, que faz grafitagem, etc, etc, etc. à uma nova cruzada, dessa vez sem armas, mas para retomar de uma vez por todas o que sempre foi nosso: o sagrado direito de expressar nossa fé com beleza e emoção. Precisamos que a Canção Nova se torne do tamanho da Globo, precisamos ditar as regras da propaganda e da moda, precisamos fazer do Marcos Pavan alguém mais expressivo que o Daniel e o Pe. Marcelo tem que fazer filmes que fiquem com as indicações ao Oscar dadas ao Cidade de Deus.

Eu sei o que você está pensando agora: “esse cara anda cheirando cola de sapateiro, ele não está normal”.
Sabe o que é mais engraçado? Você sonha as mesmas coisas que eu.
A propósito, na primeira oportunidade, conheça o Pará.

 

Rogério Feltrin (Rosa de Saron)
lelo@sigmanet.com.br

  
  
 

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