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Quando eles me pediram que cantasse a última canção, brinquei gritando ao microfone:

- Ainda não sei qual é a minha última canção. Deus é quem sabe... Posso cantar a penúltima...

- A última de hoje a noite! – disseram.

Cantei a última canção daquela noite. Mas toda última canção é sempre a penúltima. Deus pode me pedir ainda mais uma.

O recado estava dado. Cantores religiosos são como um rio que passa. Suas águas que se foram e as que ainda não vieram, mais as águas de agora é que transformam em rio. Se as águas se foram e não há mais água chegando, ele é apenas história, leito seco, rio que já correu.

Por isso a importância que dou ao estudo, à leitura, à prece, à graça de ouvir os outros, misturar-se, aprender com eles. Se começarmos a nos repetir e cantar sempre as mesmas canções, com as mesmas palavras, sem dar ao Senhor um canto novo e diferente, somos qual rio que passou. Esvaziados por não aceitar os outros e por não acolher a chuva...

Água nova que chega é fruto de confiança na fonte, ou nos rios que formaram o rio que agora somos. Por isso, cantor que não valoriza quem veio antes dele e quem agora canta com ele é rio sujo e sem mensagem. Tem “eu” demais na sua canção. Canção com “eu” demais é sempre canção sem harmonia.

Tenho pedido a Deus a graça de valorizar quem me precedeu, quem agora canta comigo e quem cantará depois de mim. Tenho pedido a graça de não aparecer mais do que a minha canção. Tenho pedido a graça de saber passar. Se fizer tudo para aparecer, a fim de divulgar meus discos e minhas canções, receio que chegará o dia em que estarei projetando mais a minha pessoa do que a mensagem que Deus pediu que eu desse. A linha que separa o marketing da vaidade é extremamente delicada.

É que a Palavra de Deus e a canção que Ele nos manda são melhores e maiores do que nós. Aquele promotor de shows que propôs que se jogasse o holofote em mim e na banda e que as câmeras nos focalizassem para que todos, ao nos ver, aceitassem o Cristo que pregamos, pensou em movimento, mas cometeu o maior de todos os enganos. Ao desprezar o crucifixo, o altar, as velas, a bacia com água, as imagens, a Bíblia sobre a mesa por achá-los imagens paradas, deu a entender que nossas danças e canções fariam mais do que os sinais da fé. Como não tenho nenhuma vocação para substituir os sinais que Igreja usa há séculos, pedi que apagassem o holofote. Desse tipo de luz eu não preciso, nem quero! No dia em que eu aparecesse mais do que minha canção, pararia de cantar...

Que meu rio passe sereno! Não faz mal se ninguém mais se lembrar de mim ou do meu rosto. Eu também não sei qual o rosto de Bach, Handel, Vivaldi e Palestrina. Também não sei o rosto de nenhum dos evangelistas, mas me encanto com o que escreveram sobre Cristo. E ainda durmo e oro embalado por suas mensagens. Eles passaram a letra, mas a mensagem e a canção continuaram. Deve ser porque tinham conteúdo...

É o que tenho pedido a Deus. A graça de saber passar... Para que, talvez, minha mensagem permaneça!

(Trecho extraído do livro “Apenas um rio que passa: poemas e canções” - Paulinas, 2003)

 


Pe. Zezinho, scj (pezscj@uol.com.br)
www.padrezezinhoscj.com - Taubaté-SP

  
  
 

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