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Impressiona-me o número dos crentes ciumentos que tomaram conta de nossas igrejas nos últimos anos. Crente é aquele que afirma crer em Deus e, no caso dos cristãos, aceitar Jesus como seu Senhor. Causa tristeza ver como se dissemina rapidamente entre crentes católicos e pentecostais essa atitude de filhos ciumentos. Os e-mails que recebo, as cartas que chegam às nossas redações, os telefonemas e as pregações nos púlpitos, no rádio e na televisão não deixam margem a dúvidas. Voltou o episódio de Josué de Nun diante de Moisés por causa de Eldad e Meldad (Nm 11, 25 - 29) que quis calar a boca de quem não era do seu grupo e de João que também mandou calar alguém que expulsava demônios e não era do seu grupo (Mc 9, 38).

Há pentecostais, messiânicos, católicos e evangélicos proibindo seus fiéis de se encontrarem com gente de outra igreja, de dialogar, de cantar juntos e de elogiar o que há de bonito nos outros. Apossaram-se da verdade, do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ninguém mais deve falar em nome deles. Eles, sim! Seus livros, seus cantos, seus cultos, seus pregadores, suas mensagens são de Deus. As dos outros são de satanás. Chega-se ao extremo de um pastor desinfetar uma igreja e voltar a consagrá-la porque lá se cantou uma canção de um católico. Não ficam atrás alguns evangélicos e católicos que se negam a subir no palco com gente de outra igreja. Quando sobem, não se cumprimentam nem se confraternizam. Não têm o que dizer um ao outro. Deus já lhes disse tudo! O que teriam a aprender com os outros? Elogiar o quê? Por que? E se alguém canta junto com alguém de outra igreja é duramente repreendido! Que tipo de cristianismo é esse?

Moisés mandou matar quem cometera idolatria e Isaías mandou matar os padres de Baal que ele derrotara. Muita gente foi morta por crer diferente. Mas Jesus elogiou o centurião romano, a mulher de Canaan, dialogou com a mulher samaritana, Paulo foi ao Areópago e não chutou nenhuma imagem. Antes, elogiou a fé daqueles homens, mesmo discordando deles. E então, respeitoso, falou do Deus único! Mais ainda: Jesus disse que tinha ovelhas que não eram do seu rebanho, e criticou o ciúme religioso dos fariseus, condenando, em parábola um levita e um sacerdote hebreus insensíveis e elogiando um samaritano. Elogiou em parábola um publicano e condenou um fariseu que pagava dízimo e se declarava mais religioso do que o outro. O mesmo Jesus mandou amar os inimigos e fazer o bem aos que nos odeiam. Deixou claro que Deus é pai de todos.

Como explicar, então, o comportamento desses pregadores e cantores que se negam a cantar juntos, orar juntos e juntos ajudar os pobres? De onde esta convicção de que Deus está com eles e eles são os mais santos? Que Bíblia leu aquela pobre jovem cantora que mostrou tristeza por ver suas canção cantada diante de uma rodela de trigo? Onde estava aquele pregador que chutou uma imagem de Maria, para dizer que aquilo era um ídolo, esquecido de que Deus mandou fazer imagens de querubins e até uma serpente de bronze? Na parábola do filho pródigo há três histórias: a do pai que perdoa e acolhe, a do filho que vai embora, perde-se e volta arrependido, e a do irmão ferido de ciúmes, porque o pai acolheu o seu irmão pecador sem tê-lo consultado! Será que ele teria dito que sim?

Josué teve ciúmes achando que só seu grupo poderia profetizar, João teve ciúmes achando que só os do grupinho fechado poderiam agir no nome de Jesus; o filho bonzinho da parábola que está em Lc 15, 11 achava que só ele tinha direito. O outro não podia ser bem tratado daquele jeito!

Há cristãos ciumentos, achando que só eles podem cantar, pregar e falar de Deus e que, o que Deus inspira aos outros é lixo. As inspirações de Deus só caem na cabeça deles. Quem ousa elogiar irmãos de outras religiões é malvisto, caluniado e mal falado. Não conseguem entender que, por melhor que seja o seu buquê de rosas, o buquê do outro também é de flores. Não é tudo igual, mas nem por isso temos o direito de dizer que a flor do outro fede só porque a nossa cheira bem!

Quem nunca leu sobre o montanismo, leia! Está em curso um neo-montanismo, a crescer como tiririca em muitas igrejas cristãs, inclusive entre nós, católicos. Eles acham que Deus só fala com eles. Há centenas de Montanos e Priscas, Novacianos, Cátaros e Donatistas. Esses donos da verdade cristã daquele tempo depuseram bispos, enfrentaram papas, enviaram gente para a prisão, alojaram-se em palácios jogando o imperador até contra o papa, criaram grupos à parte que não ouviam a ninguém de fora, nem ao papa. Do papa só usavam o que interessava. Só ouviam a Deus e aos seus chefes. Deus estava com eles, a verdade estava com eles e os outros que se convertessem ao seu grupo! Não podiam recuar porque Deus lhes revelara a verdade mais verdadeira! Hoje vejo camisetas de cristãos que se dizem convertidos com frases do tipo: Sou de Cristo, os incomodados que se convertam! Não adoro ídolos de barro! Chega a ser cruel. É provocar para a guerra. Não vai acabar bem!

Nem é preciso dizer da violência que eles criaram e das pessoas que conseguiram silenciar nos lugares onde chegaram ao poder. Quem discordasse deles era contra Deus, porque Deus falava só por meio deles. Riam dos outros, falavam contra, jogavam indiretas e atiçavam seus fiéis e fãs contra os outros.

O estudo da História da Religião faz falta. Quem não estudou está repetindo o mesmo comportamento desses hereges, já condenados pela Igreja. Não querem diálogo e condenam quem dialoga com crentes de outros grupos. Não leram a Ut Unum Sint, nem a Orientale Lúmen mas gostam de citar as outras encíclicas do passado que eram duras contra outras religiões. Omitem João Paulo II e Paulo VI e os diálogos que empreenderam e pedem que conduzamos com irmãos de outra fé. Se lessem o número 17 da Orientale Lúmen corariam de vergonha. Lá o papa diz que entre os pecados que exigem maior empenho de conversão devem ser incluídos os que prejudicaram a unidade dos cristãos. A culpa foi dos dois lados. Mas diz o papa que este pecado é gravíssimo. E pede maior empenho, mais encontros e mais diálogo.

Os rebeldes são eles que não dialogam nem chegam perto de outros irmãos e dão um jeito de acusar de traidor o irmão que dialoga com eles. Acham logo um defeito na fala de quem tenta ouvir o outro. Dizem os desobedientes somos nós. Bispos, papas e teólogos se encontram com irmãos de outras igrejas e outros cultos para dialogar, mas eles não aceitam. Somos chamados de irenistas, relativistas. Não vale nada do que já fizemos para acentuar a fé católica, porque ousamos dizer que a flor do outro também é flor, esmiúçam tudo até provar que dissemos que é tudo igual. Mães não são iguais, e flores não são iguais.

Mas mães são mães e flores são flores, mesmo que digamos que não são!

Eu digo que é ciúme. Não admitem que Deus tem rahamin, muitos colos e que Deus ama e ilumina outros filhos. Agem como o sujeito que não aproxima a sua vela de um outro, por medo de, com isso, sua vela perca o brilho ou deixe de ser a única a iluminar o salão! Só porque a nossa lanterna ilumina outra, ou, junto com a lanterna de outros iluminamos o mesmo lugar, a nossa lanterna não diminui seu brilho. Não é porque elogio a mãe do outro que a minha diminui. Antes, cresce por ter criado um filho bem educado!

Que devemos mostrar a nossa fé e se preciso, mostrar onde não concordamos com outras religiões, parece óbvio. Que não temos o direito de ridicularizar a religião dos outros, nem pisar nos livros e nos candelabros e altares deles, também parece óbvio. Temos que aprender a discordar sem viver em discórdia e a caminhar juntos naquilo em que estamos de acordo. Purificar uma igreja porque alguém cantou lá um canto católico já é loucura. Condenar um grupo católico porque canta uma canção dos evangélicos, que em nada contradiz a nossa doutrina é loucura. Por causa desse tipo de pregadores muitas cidades já foram à guerra há alguns séculos atrás. O perigo é voltar a isso, por causa desses irmãos que não admitem que são irmãos de quem não cospe, nem ora, nem canta como eles! Quero que saibam que acho minha mãe a melhor das mães. Mas quero que saibam que acho que a mãe do outro também é uma boa mãe. Se isso for errado, as encíclicas sobre o diálogo religioso estão erradas. Elas mandam respeitar os valores dos outros enquanto afirmamos os nossos!

 

Pe. Zezinho, scj (pezscj@uol.com.br)
www.padrezezinhoscj.com - Taubaté-SP

  
  
 

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