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Aos 40 anos de canção católica, penso que posso, em primeiro lugar, incentivar as comunidades a chamarem cantores católicos para motivar suas celebrações e festas. Se podem chamar duplas sertanejas para cantar sobre amores perdidos, podem chamar cantores da fé para cantar sobre o amor
solidário. É questão de saber a quem chamar, posto que há cantores católicos portadores de uma mensagem abrangente e excelentes músicos dos mais diversos movimentos de Igreja, e há também grupos amadores que não mudam o discurso da primeira à última canção. Não culpem a todos pela falta de criatividade no palco. Há muita gente competente tocando e cantando na nossa Igreja.

Acho, porém, que depois de 40 anos cantando, 37 anos viajando pelo Brasil e pelo mundo, 25 anos lecionando Comunicação Católica, posso e devo emitir a minha opinião, mesmo que não seja aceita. Não é apenas minha. Leio, pesquiso, gravo programas de televisão, pergunto a sociólogos, comunicólogos, psicólogos, teólogos e pastoralistas, e praticamente todos concordam que há uma saturação de mensagem, excessivamente repetitiva tanto na mídia católica como na pentecostal e evangélica. Acabou a novidade. Estão quase todos usando os mesmos vocábulos, as mesmas expressões, o mesmo jeito
de cantar e introduzir a canção, as mesmas palavras de ordem para levar ao silêncio e à entrega, os mesmos pedidos de braços balançando, as mesmas mãos no peito, os mesmos "entregue-se a Jesus"... É tudo igual, repetitivo e previsível, e as músicas quase sempre dizem as mesmas coisas, uma após outra. São shows monotemáticos.

É bom acentuar uma ênfase, mas há que haver renovação do seu conteúdo. Se querem louvar porque gostam de louvar e esta é a sua vocação, que o façam. É maravilhoso, mas achem outras palavras, outras canções e outras expressões, porque até o salmista se dava conta disso quando mandava os cantores cantarem ao Senhor um canto novo e diferente e que tocassem com maestria (Sl33, 3; 40.3; 96,1; 144, 9). A mesmice é inimiga da pastoral e da mensagem. Ninguém em sã consciência pode ser contra o louvor, mas pode questionar a maneira como ele é transmitido. Se o povo está indo menos, chamando menos e achando que, se for, vai ver a ouvir a mesma coisa; se há comunidades de
pregadores que mal conseguem se manter porque não são mais chamadas para pregar ou cantar sua fé, cabe aos cantores renovar a linguagem falada, cantada e coreografada, para que as pessoas percebam ali um canto novo e diferente. Se querem ressaltar as encíclicas sociais, a vida familiar, a fome do povo e a resposta da Igreja; se querem cantar cantos de justiça e paz, que o façam, mas atualizem o tempo todo a sua linguagem. Se querem louvar porque louvar é o seu chamado, atualizem sua expressões e linguagens.

A Bíblia diz que devemos louvar, mas não manda só louvar nem louvar todos do mesmo jeito.
O pai precisa de louvadores, mas que sejam louvadores criativos! Com raras e honrosas exceções, os cantores e animadores de palco se repetem demais.
Gravei 40 shows de televisão e sinto ter que dizer que as canções, os temas, as palavras de ordem e os script é o mesmo em 95% dos casos. Poucos têm linguagem nova que revele estudo e pesquisa. Até os instrumentos se copiam, sobretudo o saxofone e as baterias. Os que muita gente chama de "cantores do
mundo" estão se renovando mais depressa do que nós.
Foi o que eu disse a vários grupos de jovens que me procuraram para um diagnóstico, já que mesmo se oferecendo para cantar de graça não são mais chamados. Não é só porque o povo está pobre. Talvez seja porque nossa mensagem esteja repetitiva. Eles já viram este show com outros grupos e sabem que não vai ser diferente. Não adianta mudar as luzes se o som e as palavras de ordem não mudam. É uma pena, mas com raras exceções o povo está indo menos aos shows religiosos. Isso inclui também os evangélicos. Quem quiser discordar, discorde! Mas é o que penso. Precisamos achar um novo jeito de cantar e de pregar. Repetição pode elevar ou pode virar mesmice.

Grave as pregações e os shows das mais diversas igrejas e veja se exagerei. Que o povo chame os cantores, mas cobre de nós uma pregação mais abrangente

A Igreja não é apenas louvor nem apenas doutrina social. Há outros conteúdos do cotidiano que não chegam ao povo, porque muitos cantores insistem em cantar vinte vezes com nomes diferentes um único tema. Que tal louvar a Deus pelo bebê que acaba de nascer, pela água nas torneiras, pelo vovô com sua
sabedoria, pelo terço da vovó, pela família ao redor do fogão, e pelo vizinho que conseguiu trabalho? Ou isso não é religião? Que tal cantar a Bíblia, as encíclicas e o catecismo católico? Tenho a impressão de que o povo está querendo mais do que estamos dando!... Não seria o caso de os compositores e cantores lerem um pouco mais sobre esses temas? Nós gostamos de cantar a fé, mas será que eles gostam de nos ouvir? Se não nos chamam, quem tem que se questionar somos nós e não eles. Quantas pessoas vinham ao seu show há três anos atrás? Quantas vêm agora? Já se perguntaram porquê? Eu
já! E acho que os cantores andam se renovando menos que os pregadores. A mudança desses é significativa. A dos cantores, nem tanto!

 

Pe. Zezinho, scj (pezscj@uol.com.br)
www.padrezezinhoscj.com - Taubaté-SP

  
  
 

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