Como iniciou o seu interesse pela música sacra?
Eu cresci ouvindo música católica. O interesse cresce na medida que nós amamos, na medida em que começamos a integrar aquilo que, aos poucos, vamos conhecendo cada vez mais. A minha vida toda tem uma história com a música católica, com a música sacra. Sempre gostei de rezar com a música. Hoje, graças a Deus, tive a oportunidade de realizar um trabalho para levar outras pessoas a rezar com a minha música.
O que mais o impressiona no cristianismo?
A força que ele tem. O fundamento do cristianismo é a pessoa de Jesus, a essência dessa luta que nós travamos para que cada vez mais o mundo seja de Deus, com este sustento e com todo este fundamento que Jesus é na nossa vida.
Dos seus dois trabalhos, "De Deus - Um Cantador" e "Saudades do Céu", qual música mais o marcou? Porque?
A música "Tempo de Voltar". É uma música que marca a minha história pessoal de vida. Era para ela estar no meu primeiro disco mas não entrou, estando somente no segundo. Esta canção é um retrato de mim, com certeza.
Sua música "Claves de Deus em Versos de Saudades", que contou com a participação da Adriana, Celina, Walmir, Flavinho e Ziza, está sendo muito bem recebida por todos. Fale-nos um pouco sobre a mensagem desta linda canção.
Cantar é expor o coração, é trazer para fora toda uma perspectiva de vida que nós acreditamos. Nós nos revelamos naquilo que cantamos. A música "Claves de Deus" é uma mostra do que a música pode fazer na vida das pessoas. Eu quis reunir este pessoal pois eles não só cantam como também compõem. O "pano de fundo" da história é o dom da composição. Para aliviar o coração que quer voltar...
Todos temos, no coração, um desejo de voltar e de conhecer o lugar de onde viemos. "Para onde vamos?", "Como será?". Para aliviar este coração que vive esta ansiedade, nós cantamos, compomos, fazendo com que a arte esteja a serviço desta vida que vamos conquistar, com certeza, no dia definitivo.
As pessoas sempre me perguntam se você é seminarista, se vai ser um padre cantor ou se vai continuar evangelizando da maneira como sempre faz? Eu serei padre no dia 15 de dezembro de 2001 e a música, para mim, será uma "bengala" para me ajudar a levar o povo ao céu. | |
Qual seu parecer a respeito da RCC (Renovação Carismática Católica)?
Eu vivo a espiritualidade renovada e sinto que Deus a tem purificado muito e, com certeza, cada vez mais caminhamos para a superação de uma visão mágica de religião onde Deus está sempre a favor do homem e, de certa forma, o homem sem nenhuma responsabilidade nesta participação.
Hoje a Renovação Carismática tem vivido esta mudança de começar a acreditar que a graça de Deus age sobre nós, mas que nós temos uma responsabilidade de ação para que esta graça aconteça. Que nós acolhamos para que a transformação aconteça nestas duas vias: Deus que faz e o homem que coopera.
Música Sacra Católica. Como você a define?
Como um presente que nós estamos abrindo e descobrindo. Estamos aperfeiçoando a maneira de fazer, onde tudo é um dom de Deus. A música é um dom, um presente de Deus para nós. Toda vez que nós abrimos um "pacote" muito bonito, muito cheio de fita, nós corremos o risco de ficarmos na beleza exterior. Estamos no momento de entrarmos dentro da "caixa" e descobrir sua fecundidade.
Uma mensagem para os músicos:
Deus não precisa da sua música. Ele precisa do seu coração. A desculpa é a música. Então, capriche na desculpa que certamente o coração vai estar nas mãos Dele!
Obrigado, Fábio. Jesus abençoe!
por Rafael de Angeli
setembro de 2000