Loja CDCristão.COM
Home
Notícias
Releases/Biografias
Links
Blogs
Orkut
Twitter
Lançamentos
Catálogo
Em Estúdio
Loja Virtual
Ranking
Prêmios
Aniversariantes
Promoções
Newsletter
Agenda/Eventos
Programa Acorde
Cristoteca
Rádio Beatitudes
Clipes
Cifras
Partituras
MP3
Entrevistas
Salmo On-Line
Luiz Carv. Responde
Carta do Papa
Direitos Autorais
Lista de Discussão
Artigos - Músicos
Testemunhos
Artistas
Gravadoras
Rádios Católicas
Divulgação
Fale Conosco!
Pedido de Orações


Isso aconteceu há algum tempo. Ele tinha mais ou menos uns trinta e cinco anos e eu o conhecia muito pouco. Encontrei-o pela primeira vez na casa de amigos comuns em uma reunião de oração, soube que ele freqüentava os Alcoólicos Anônimos e um dia, enquanto conversávamos, disse-me:

- Durante muito tempo eu me destruía na tentativa de viver a vida ao máximo. Eu sempre queria mais e nessa busca frenética eu me perdia de mim mesmo. Perdia minha dignidade, o amor próprio e o motivo de toda procura. Eu me achava um cão sem direito a nada. Nem mesmo a Deus.

Fiquei surpreso e no primeiro momento desatei a falar sem pensar, interrompendo sua partilha. Discursei conceitos sobre Deus, o Amor e o homem. Citei a Bíblia, os evangelhos, parábolas e santos, enquanto ele permanecia me olhando com um sorriso meio sem graça nos lábios. O silêncio dele foi tanto que me calei também, cansado de mim mesmo. Mais tarde, voltando para casa de ônibus, enquanto eu pensava em nossa conversa e em suas palavras, me dei conta que não havia feito uma experiência de compaixão com ele. Não havia me posto em seu lugar, não me permiti participar das suas dores, seus sofrimentos e desamores. Ouvi, mas não senti seu desabafo e saí despejando, sem muito cuidado, minha catequese de algibeira. Lembrei-me do Cristo sempre tão acolhedor com os que sofrem: "Vai, teus pecados estão perdoados", "Onde estão os que te condenam? Nem eu te condeno também", "Que queres que eu te faça?". Lembrei-me do seu olhar para Pedro diante da negação, e sobre este olhar poderiam ser escritos centenas de livros. Em minha mente vi Jesus comovido com a dor de Marta e Maria diante da morte de Lázaro. Faltou alguma coisa em mim com aquele jovem e eu sabia o quê. Faltaram-me cuidado, carinho e amor. Não havia nada de errado com minhas palavras, mas fiquei ansioso demais por dizer e não me preocupei em ouvir. Ouvir com generosidade. Falei de amor, mas esqueci de escutar com amor. Faltou-me a catequese da Caridade.

Muitas vezes nós nos esquecemos que não somos os donos da Verdade. Bem intencionados, nos enganamos e esquecemos que fomos criados para amar, e o Amor não é uma verdade a ser dita, mas que quer ser vivida em todos os momentos, por mais simples que pareçam. Nós nos esquecemos de que apenas somos "nós" para nós mesmos, mas que somos o "outro" para todo o resto da humanidade.

 

Augusto Cezar - DOM
tioguto@ig.com.br
Rio de Janeiro-RJ
  
  
 

Ver outros artigos de Augusto Cezar

Voltar para ARTIGOS

Listar TODOS os artigos em ordem alfabética

  
  
  Envie esta página para um ou mais amigos!
  
  
 
Voltar...
  
 
  
 Copyright © 2001 - 2011 por Portal da Música Católica. Todos os direitos reservados.